3 de fevereiro de 2015

a garota que tinha medo - breno melo

Sinopse: Marina é uma jovem que faz tratamento para a síndrome do pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível e então psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável.

A garota que tinha medo conta a história de Marina, uma adolescente em uma das fases mais difíceis: a do pré vestibular. Em meio à pressão infernal da mãe com os estudos, um namoro mais ou menos e quase nada de vida social, Marina começa a ter sintomas estranhos. 
O que ela achava ser um mal estar passageiro, acaba se repetindo várias e várias vezes. Após milhares de exames dando negativo e quase sem esperança de diagnóstico, Marina é encaminhada à um psiquiatra e então sim, diagnosticada com a síndrome do pânico.
Com pouquíssimas pessoas a apoiando ela vê o que deveria ser a melhor época da sua vida passar como um pesadelo.



O livro é narrado em primeira pessoa e dividido em fases: antes dela receber o diagnóstico, o durante, o tratamento, e a vida sob controle depois do pesadelo.

O modo como o autor descreve os sintomas é incrível, me senti dentro do quarto junto com a Marina e acompanhando o seu sofrimento, seu tratamento, o modo corajoso como ela vai, aos poucos, enfrentando cada um dos seus medos e fantasmas do passado e finalmente a volta por cima. A gente vai se envolvendo tanto com a personagem que é impossível largar o livro antes do final.




"Tive a sensação de que aquele corpo que se desesperava não era meu, e ainda assim eu sofria por ele. Entre minha mente e meu corpo havia uma barreira. Eu assistia a mim mesma como se fosse outra, e não podia fazer nada por mim."

A história me surpreendeu muito, e positivamente. Devorei em apenas um dia, de tão tocante, profunda e bem escrita. Foi o primeiro que li nesse estilo e gostei muito. Minha mãe já foi panicosa e embora faça muito tempo que não tenha crises e que tudo aconteceu antes de eu nascer, sempre soube o quanto era ruim, só não detalhadamente.

O preconceito é abortado muito bem no livro, e acontece realmente até hoje. Muitas das doenças psicológicas são tratadas como "frescura" pelos leigos e por quem nunca teve e/ou conviveu com isso.
 





A história é belíssima, e recomendo muito. Pra quem ainda não conhece muito sobre a síndrome, esse livro é um prato cheio.
“Dizem que não nascemos com a sensação de medo, mas que a adquirimos ou a aprendemos; e o aprendizado se dá através da observação de terceiros. Ver alguém com medo exagerado diante de um trovão ou de uma barata pode nos levar, na tenra infância, a acreditar que os trovões ou as baratas são exageradamente perigosos. E então crescemos com essa ideia adormecida em algum lugar das nossas mentes. Numa linguagem mais clara, nossos medos irracionais estão em nosso inconsciente, nesse terreno em que quase ninguém pisa.”

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2 comentários

  1. Nunca se quer tinha ouvido falar do livro, porém, achei bem bacana e deve ser uma leitura interessante. Juro que fiquei com aquela pontinha de curiosidade, hahahaha.
    Um beijo, Yasmim Gil. ♥

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  2. Fiquei com muuita vontade de ler esse livro, fazia um tempo que eu não vinha aqui mas fico feliz por você continuar a bloggar, seu blog continua perfeito *-*

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respondo os comentários aqui mesmo, no post.
mas sempre passo dar uma visitinha (e comentar).
fique a vontade ♥

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